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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

União mística com Cristo - parte 1


Eu creio, e agora?

Boa pergunta para quem se tornou (ou já é!) cristão. Qual o propósito de minha vida como membro da comunidade da Nova Aliança em Jesus?

Talvez, a resposta para essa pergunta seja muito simples: Agora, devo buscar a união mística (e misteriosa!) com o Cristo-Messias-Rei Jesus.

Teologicamente, essa expressão é muito discutida na perspectiva da salvação, da justificação do crente pela fé, da adoção do ser humano como filho de Deus, etc. Também, às vezes, ela é vista como uma experiência etérea, espiritual, a qual é obtida por meditação e contemplação.

Por mais importantes que sejam essas abordagens, é possível olhar para a união mística com Cristo como a de um casamento (lembrando Efésios 5). Não é possível estar casado sem considerar o cônjuge em tudo o que se faz. A pessoa não é mais só ela, mas é ela+cônjuge. Se viaja está presente, se dorme está presente, se conversa ou pratica esporte está presente... Ela é, assim, “um com o cônjuge”.

A relação sexual, por sua vez, marca a intimidade, o êxtase da união. Mas não é o único momento onde “se tornam um”, como diria o senso comum. A mística união também acontece no silêncio solidário, nas ações compartilhadas, no namoro cotidiano, na criação dos filhos, em ocasiões inusitadas, na saudade, no cuidado. Nesse sentido, é possível dizer que a união mística é uma união encarnada na realidade. Ela envolve o ser humano como um todo, não apenas os momentos de êxtase (embora eles sejam fundamentais). 

O "místico" da união, assim, não admite fragmentações acadêmicas. Não pode apenas ser entendido com uma experiência transcendente, o qual acontece em nível espiritual. Pelo contrário, a união mística exige a conexão de todas as nossas emoções, pensamentos, atitudes, corporeidades e transcendências com o Cristo.

Thomas Merton, um místico cristão contemporâneo, afirma no seu livro Na Liberdade da Solidão: “Vivemos como criaturas espirituais quando vivemos como homens que procuram a Deus. Para sermos espirituais, temos de permanecer homens. E, se isso não fosse evidenciado em toda parte na teologia, o Mistério da Encarnação seria disso, amplamente, uma prova. Por que Cristo se fez homem senão para salvar os homens, unindo-os misticamente a Deus por meio de sua santa Humanidade?”

Portanto, assim como todo casamento idôneo necessita ser vivido a partir dos dilemas de sua realidade (não como uma fantasia romântica idealista), a união com Cristo acontece dentro das lutas e contradições humanas e, com certeza, a partir delas. É um ato de fé. Mas, também, um difícil processo de aprendizado, o qual exigirá grande dedicação. O resultado vale a pena: é simplesmente a vida plena prometida por Jesus (João 10.10).


Mas, na prática, como é possível desenvolver a união mística com o Cristo?

Isso fica para o próximo texto, ok?

Pr. Vinicius

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