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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Insatisfação interior?

Um peregrino é um andarilho com um objetivo.”

Há manhãs em que acordamos com a visão ainda embaçada, ao som do alarme do relógio, e nos esforçamos para encontrar alguma motivação para enfrentar o dia que começa. Afastamos as cortinas para nos depararmos com a mesma cena cotidiana e ansiamos pelo dia em que poderemos sair pela porta e encontrar algo diferente. Nossas vidas diárias podem perecer previsíveis e insatisfatórias e, então, algo dentro de nós nos instiga a ir rumo a novos horizontes, na direção daquela curva, no caminho que os levará a montanhas desconhecidas.
Essa inquietação e esse descontentamento podem significar o início de algo notável. Ao invés de simplesmente desconsiderar esse sentimento, dando de ombros com desdém, poderíamos dar ouvidos ao que o nosso espírito está dizendo. Podemos estar ansiando por um tipo de vida diferente e não apenas por uma simples mudança. Podemos estar famintos de significado, de compreensão, de esperança e também de aventura.
Nosso espírito pode estar ansiando por peregrinação ̶ uma jornada rumo ao desconhecido  ̶  mas, ainda assim, uma jornada com um destino.
Nossa vida pode ser uma peregrinação, uma jornada de descoberta espiritual. Mas também há ocasiões em que precisamos viajar com nossos próprios pés, andar pelo mundo deliberadamente, com a intenção de nos permitirmos estar abertos, animados pela esperança, guiados pelo amor.


Andrea Skevington (adaptado)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Transforme-se...


"QUANDO A SITUAÇÃO FOR BOA, 
DESFRUTE-A. 
QUANDO A SITUAÇÃO FOR RUIM, TRANSFORME-A.

 QUANDO A SITUAÇÃO NÃO PUDER SER TRANSFORMADA, 

                         TRANSFORME-SE."
                                                          Viktor Frankl

quarta-feira, 5 de março de 2014

O CONVITE DA QUARESMA

Tibouchina granulosa - Quaresmeira

A Quaresma surgiu nas comunidades cristãs primitivas devido ao costume de observar o período de preparação para a Páscoa. É tempo dedicado ao auto-exame, arrependimento, jejum e oração. É, também, um momento muito especial para relembrar o grande amor de Deus, bem como sua obra em e através de Jesus Cristo.

Nesse período de 40 dias ou "Quaresma”, somos convidados a observar o exemplo de Jesus, o qual passou 40 dias no deserto em luta espiritual (Mateus 4.1-11), em preparação para o seu ministério.

Na Quaresma, portanto, é como se Cristo nos convidasse a mudar de vida; a parar e refletir sobre nosso comportamento para com Deus, conosco mesmo, para com o próximo e com a criação. Somos convidados a viver a Quaresma como um desafio para ficarmos mais próximos de Deus. Nosso comportamento deve buscar a leitura regular da Palavra de Deus, orar com mais vigor, jejuar com atenção e praticar as boas obras que a Bíblia nos orienta.

Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação. É na Quaresma que aprendemos a conhecer e apreciar a cruz de Jesus. Com isto, aprendemos também a tomar a nossa cruz com alegria, assumindo nosso papel de discípulos do Senhor Jesus.

Somos convidados, então, a vivermos a Quaresma não somente como uma data do calendário religioso, mas como uma atitude de vida onde incorporamos o “mistério Pascal” de Cristo, o qual revela a história da salvação realizada por Deus em favor da humanidade.

Fonte: Manual do Culto Cristão – IPIB e http://ipmissional.blogspot.com.br/

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Homothumadon

"Assim que eles ouviram isso, adoraram todos juntos [homothumadon] a Deus, dizendo: ..." (At 4.24)

Homothumadon é uma daquelas palavras que não se encontra uma tradução adequada na nossa língua. Na passagem acima, bem como em outras onde essa palavra é usada (10 vezes em Atos e 1 vez em Romanos), seu sentido fica enfraquecido. Morfologicamente, homothumadon é composto por homo ("junto", "mesmo") e thymos ("enfurecer-se", "ferver"). Entender, então, essa palavra apenas no sentido de "unanimidade" pode nos fazer perder toda sua amplitude e aplicação na nossa vida como cristão.

Segundo o Pr. Eugene Peterson, homothumadon tem uma força particular: ela provoca o leitor-ouvinte a uma relação intensa e amorosa com as pessoas e destaca o sentimento de fúria ou de intrepidez ligados à vida de paz e humildade. Pode-se dizer, assim, que essa palavra contém a energia da raiva, sem o sentimento de raiva; possui a emoção forte de um ataque a alguém, sem, contudo, expressar maldade ou dolo. E, ainda, se for aplicada num contexto comunitário de igreja, fornece a base das relações interpessoais, isto é, humildade na postura diante do outro e paixão em promover o reinar de Deus na comunidade.

Sem dúvida, pelo exposto, pode-se perceber que homothumadon é um desafio para todos os discípulos de Cristo. Principalmente, porque viver, ao mesmo tempo, a ambigüidade da intrepidez e da humildade não é comum no nosso tempo. Na verdade, tendemos aos extremos: somos dominadores ou passivos; somos invasivos ou tímidos; gritamos ou nos calamos. Talvez essa polarização nos comportamentos seja fruto de um estilo cartesiano e maniqueísta da sociedade ocidental. Há muita dificuldade, então, em se pensar (e viver!) baseado em um sistema complexo ou múltiplo; o paradoxo da vida não faz parte do nosso dia a dia.

Jesus, por outro lado, mostra com sua vida que viver o homothumadon na igreja e no mundo é possível. Com seu agir amoroso ele promoveu uma revolução radical na sociedade onde viveu e que tem impacto até os nossos dias. Ele amou a todas as pessoas incondicionalmente, mas não deixou de expulsar do templo os mercadores que exploravam os pobres; tratou com dignidade mulheres, crianças, leprosos e prostitutas, mas não deixou de exigir que todos carregassem a sua respectiva cruz; andou com publicamos, religiosos e pessoas de alta classe, mas nunca deixou de manifestar-se contra a religiosidade, a ganância e a vida sem generosidade. Sim, é possível experimentar o homothumadon. Pois, se o grande objetivo de nossa vida é ser semelhante a Cristo, não podemos estabelecer metas menores do que ser como Jesus foi. É compromisso de todo discípulo-seguidor, portanto, estabelecer um esforço contracultural, além, é claro, de uma vida dedicada à oração e à piedade, para levar isso a bom termo.

Cabe destacar, finalmente, que houve pessoas que experimentaram esse sentimento-ação chamado homothumadon. Uma delas chama-se Mohandas K. Gandhi. Apesar de não ter se tornado cristão, ele viveu o Sermão da Montanha de Jesus até as últimas consequências e proporcionou a libertação da Índia do jugo inglês através da paz, da vida simples, do amor incondicional e da desobediência civil. Outra pessoa digna de ser lembrada é o indiano da seita sik Sadhu Sundar Singh. Mesmo diante de perseguições, prisões e privações ele foi um destemido arauto do evangelho na Índia e no Tibete, munido apenas de um Novo Testamento.  Pregou, ainda, nos EUA e em diversos países da Europa, mas nunca deixou seu estilo de vida simples e seu propósito de anunciar o evangelho nos arredores do Himalaia.

Da mesma forma que Gandhi e Sadhu Sundar Singh, com certeza, existem muitos anônimos que viveram (e vivem!) aquilo que foi proposto por Jesus. Eles não são, por isso, heróis, mas apenas aqueles que fazem o que devem fazer (como “servos inúteis” – Lc 17.10); são, porém, discípulos fiéis que experimentam e desfrutam o reino de Deus antecipadamente.

Rev. Vinicius.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Oração comunitária


A oração modelo de Jesus Cristo, expresso no título “Pai-Nosso”, não é uma oração solitária, mas feita em comunidade. O contexto bíblico fundamental é a adoração. É por isso que o culto público parece ser o único contexto no qual podemos recuperar a profundidade do Evangelho. Isso significa que aprendemos a orar na comunidade, que aquilo que fazemos a sós é algo que extraímos da adoração da comunidade. Assim, a oração não cessa e tem formas alternativas quando você está sozinho, mas a perspectiva da coletividade vem primeiro. Infelizmente, a experiência dos cristãos inverteu a ordem. Na longa história da espiritualidade cristã, entretanto, a oração comunitária é mais importante e depois a individual.


Baseado em E. Peterson – O Pastor Contemplativo, pg. 17

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

20 de Setembro


A cultura gaúcha, presente particularmente no Rio Grande do Sul, é caracterizada pela aproximação com o gaúcho, um campesino apegado à lida do gado que possui uma expressão cultural própria, tanto na linguagem, na vestimenta e no lazer como na ética, na religiosidade e na relação com a família e sociedade. E mesmo aqueles que não têm contato direto com o campo, vivenciam essa cultura através do chimarrão, da música, do artesanato, dos símbolos gaúchos e dos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs), além de muitos comportamentos característicos.

Sendo assim, vamos aproveitar a Semana Farroupilha, a qual se encerra no dia 20 de setembro, para lermos a identidade cultural do gaúcho à luz do Evangelho. É necessário, para isso, estarmos dispostos a dialogar com ela, percebendo que há muitos valores cristãos que estão em harmonia com os valores gaúchos, embora alguns nem tanto... 

Que os seguidores do caminho de Jesus se unam ao brado riograndense (mostremos valor constância, nessa ímpia e injusta guerra; sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra), a fim de promover o reinar de Deus em todas as querências do mundo.


Com diz Teixeirinha: “... Deus é gaúcho, de espora e mango; foi maragato ou foi chimango...”

sábado, 7 de setembro de 2013

Sobre AMAR

Numa entrevista, o neurobiólogo chileno de 84 anos, Humberto Maturana, fala sobre a necessidade de vivermos a partir do amor.

"O ser humano não vive só. A história da humanidade mostra que o amor está sempre associado à sobrevivência. Sobrevive na cooperação. Se a mãe não acolhe o bebê, ele perece. É o acolhimento que permite a existência. Numa de suas parábolas, Jesus fala do camponês lançando sementes ao solo. Algumas caem nas pedras e são comidas pelas aves, outras caem num solo árido e resistem por pouco tempo. Mas há aquelas que encontram boa terra e crescem vigorosas. Assim também nós precisamos de um solo acolhedor para nos desenvolver. Nosso solo acolhedor é o amor."

Nessa perspectiva, o desafio cristão é compreender e viver o amor revelado em Jesus, o qual busca o bem do outro e não a satisfação da necessidade de ser amado. Deus nos convida a fazer o que Ele fez: morrer para salvar quem não merece:

"Pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." (Rm 5.7-8).

O caminho do amor, portanto, é o serviço compassivo e humilde, onde é melhor dar do que receber (At 20.35); onda a motivação não está na retribuição, nem mesmo do amor. É como Paulo descreve em 1Co 13.4-7:

“O amor é paciente e é bondoso. Não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Não é grosseiro, nem egoísta; não se ira facilmente, não guarda mágoas. O amor não se alegra quando alguém faz algo de errado, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...”

Por outro lado, amar de maneira INCONDICIONAL só é possível porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4.19). A palavra ouvida pelo Filho de Deus no seu batismo ecoa até nós: "Esse é meu filho amado, que me dá muita alegria!" (Mt 3.17). Jesus, portanto, cumpriu seu propósito sustentado pelo amor do Pai. E, a partir da mesma base, devemos cumprir o nosso.

Que Deus nos dê a coragem para entrar nessa jornada de amor, conscientes de que vale a pena, pois foi planejada carinhosamente por quem criou todas as coisas. Soli Deo Gloria.

Vinicius.