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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ressurreição e vida após a morte


Um dia, um amigo perguntou minha opinião a respeito de “vida após a morte”. Estávamos em um restaurante, muitas pessoas de diferentes perspectivas religiosas à volta, vários olhares e ouvidos atentos.

Minha resposta foi simples: RESSURREIÇÃO!

Apesar de contundente, falei tudo sem dizer nada. Ninguém entendeu minha mensagem. Ressurreição é uma imagem vaga para a maioria das pessoas. É associada com “passar para o outro lado”, numa perspectiva de almas ou espíritos que se livram do corpo mortal e renascem em outro plano.

Mas a tradição cristã (e a Bíblia!) diz que a “vida após a morte” culmina na ressurreição nessa Terra daqueles que estiverem em Cristo Jesus, após um período de espera ou de “descanso”. Como diria o teólogo N.T. Wright: ressurreição é a “vida após a vida após a morte!”. Isso significa, novos corpos e novas almas em um novo mundo. Tudo será transformado (cf. 1Coríntios 15).

Então, depois de ver naquele restaurante tantas expressões de frustração com a minha perspectiva, comecei a pensar em uma resposta mais significativa.

Acho que encontrei!

Se, novamente, for interpelado por alguém com a pergunta “o que significa para você vida após a morte”, minha resposta será simplesmente: uma borboleta.

Sim, a ressurreição pode ser vista como a vida de uma borboleta. 

Em Cristo, vivemos como lagartas na terra, passamos um tempo como crisálidas no "céu" e ressurgimos novamente na terra como lindas borboletas.

Tudo será transformado, não apenas o corpo, mas nosso ser integral: pensamentos, emoções, físico, espiritualidade, tudo.

Acredito ser essa a direção que a Bíblia nos dá. É claro, existe muito para falar a respeito desse assunto. E muitas perguntas no ar.

É, como toda perspectiva religiosa, polêmica.

Mas expresso aqui, embora de forma rudimentar, minha opinião.

Para quem quiser saber mais detalhes, recomendo o livro “Surpreendido pela Esperança”, de N.T. Wright, Editora Ultimato.

Que Jesus Cristo ressurreto nos abençoe e nos guie em seu caminho de fé, esperança e amor.


Pr. Vinicius


quarta-feira, 6 de abril de 2016

A surpresa da ressurreição!


Está em cartaz o filme Ressurreição.

É um filme simples, de baixo orçamento, sem grandes efeitos especiais. Mas retrata o impacto que a ressurreição de Jesus deve ter na vida de todos nós.

O filme começa com a captura de Barrabás logo após a crucificação de Jesus. Barrabás afirma sua fé no Messias que ainda viria como um grande líder, a fim de acabar com a farra dos Romanos. Esse Messias, portanto, não poderia ser alguém crucificado.

Depois, o filme mantém o foco na incapacidade do centurião romano Clávios de aceitar a ressurreição de Jesus, apesar de várias evidências. Clávios parte, então, em busca do corpo desaparecido. Até encontrar o Messias vivo.

Essa é a questão: tanto para Barrabás como para o centurião romano, a ressurreição do Messias Jesus não faz sentido. Está fora de seus padrões lógicos. Não encaixa.

Isso também aconteceu com os discípulos. Isso acontece conosco ainda hoje.

Lucas 24.1-12

1 No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que haviam preparado. 2 Encontraram removida a pedra do sepulcro, 3 mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4 Ficaram perplexas, sem saber o que fazer. De repente, dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol colocaram-se ao lado delas. 5 Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? 6 Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galiléia: 7 “É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia”. 8 Então se lembraram das palavras de Jesus. 9 Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outros. 10 As que contaram estas coisas aos apóstolos foram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas. 11 Mas eles não acreditaram nas mulheres; as palavras delas lhes pareciam loucura. 12 Pedro, todavia, levantou-se e correu ao sepulcro. Abaixando-se, viu as faixas de linho e mais nada; afastou-se, e voltou admirado com o que acontecera.

O clima de abertura da manhã de Páscoa é caracterizado pela surpresa, espanto, medo e confusão (mulheres: v. 4 e 5; apóstolos: v.11; Pedro: v.12c).

Muitas vezes questionamos a incredulidade dos discípulos. Mas temos de admitir: não era fácil para eles.

A “ressurreição”, no mundo dos discípulos, era o que Deus faria no final dos tempos para todos os justos e mártires (cf. João 11.24).

Ela seria um evento de larga escala. Após o grande e final sofrimento de Israel, a todo povo de Deus seria dado nova vida em novos corpos.

Mas a ressurreição de Jesus acontece de forma inesperada. 

Na ressurreição, o Messias inaugura o novo mundo prometido por Deus através de seus profetas. Mas ela é, apenas, o start, o começo. O final ainda será consumado.

Exigirá dos discípulos de Jesus a celebração constante desse evento e a antecipação da futura realidade em seu estilo de vida, enquanto espera o que há de vir.

A ressurreição foi, sem dúvida, uma surpresa.

Nós, também, precisamos nos surpreender com essa realidade.

A crise hoje em relação à ressurreição é diferente da crise na época de Jesus.

Acreditar na ressurreição corporal dos mortos para filhos do iluminismo significa abrir mão de comprovações científicas, sem deixar de ser lógico.

Como disse John Stott: "Crer é também pensar".

Então, é possível acreditar na ressurreição de Jesus a partir da história revelada por Deus e pelas inúmeras evidências históricas.

Além disso, a ressurreição de Jesus, apesar de desafiadora para os primeiros discípulos, foi o que deu base para a origem e formação da igreja.*

Devemos, então, viver a surpresa da ressurreição a cada dia, a fim de experimentar o novo mundo que já começou em e através de Jesus.


quinta-feira, 31 de março de 2016

É tempo de ressurreição




por Valdir Steuernagel

Aliança Evangélica





Cristo ressuscitou! A partir do domingo de Páscoa, em seu calendário litúrgico, a igreja estará afirmando, sempre novamente, que Cristo ressuscitou. E essa ressurreição faz toda diferença do mundo. Ela é um ato fundamental e absoluto de Deus que afirma a esperança e anuncia uma nova possibilidade. Nem mesmo a morte é definitiva, pois a ressurreição é uma realidade.

Como igreja, nós anunciamos e somos chamados a viver a ressurreição a cada dia em meio à realidade que nos cerca e tanto em seu nível micro como macro.

Nossa nação está vivendo dias conturbados e tensos. O país parece paralisado e está raivoso. Dividido e conflitado. O povo está na rua e diferentes bandeiras estão sendo levantadas e um crescente clima de descrença no nosso sistema político se instaura. A Lava Jato não para de nos surpreender com seguidas operações e sabemos que isto é apenas o começo, apesar dos seus dois anos, na esteira da possível e necessária revelação de um caudal de lama corruptora e injusta que marca a nossa história e afeta todos os segmentos de nossa vida nacional, seja da parte do político que faz conchavos, do empresário que quer o contrato ou o gesto corriqueiro de querer “comprar” o guarda para não receber a multa.

Essa é a realidade do nosso país, que poderia ser descrita de muitas outras formas. Mas não é suficiente descrevê-la ou simplesmente fazer parte dela com a sua desesperança, raiva e indignação. É preciso transformá-la, e isso é marca do evangelho.

É tempo de ressurreição – e isto significa possibilidade de conversão e de esperança. Significa que a igreja e os cristãos precisam vivenciar um testemunho que aponte para Cristo e para a vivência de uma esperança que transforme a realidade. É claro que isto significa muitas coisas, mas eu só gostaria de apontar para algumas pistas:

Somos filhos do amor de Deus e buscamos a construção de uma sociedade onde as pessoas se encontrem.

Nossa sociedade está com os nervos à flor da pele. As brigas vêm rápido e já tememos cenas de violência explícita. É preciso desconstruir esse círculo de animosidade e de confronto ideológico; e é preciso que os cristãos se disponham a fazer isso. A confissão da nossa fé precisa ter uma expressão pacificadora. Nós propomos espaços de encontro sem derramamento de sangue e sem raiva nos olhos. Precisamos construir o Brasil para fora da presente crise.

Queremos a justiça e somos a favor da verdade!

Aprendemos com a Palavra de Deus e com a própria experiência histórica que não existe conciliação e reconciliação sem verdade, assim como não existe justiça sem verdade. Este é um momento propício para desvelarmos algumas das mentiras que fazem parte da nossa "cultura do jeitinho" e de levar vantagem. Essa cultura no exercício do poder, leva a esquemas de corrupção  tão intensos, corriqueiros e volumosos que consideramos difícil de acreditar, como vemos neste momento. O atual processo investigador não pode ser nem sustado, nem domesticado. É preciso ir fundo, ainda que vá longe e continue a nos assustar. E ao ir fundo e longe, também as nossas instituições religiosas não estão isentas de serem perscrutadas e avaliadas. Nós afirmamos que a justiça e a verdade precisam ter espaço para reinar entre nós e a partir de nós ao ponto de trazer nova esperança para a nossa gente e o nosso Brasil.

A democracia é tênue, mas é o melhor que temos.

Pode-se dizer que a democracia se constrói devagar e se mancha fácil. A Constituição de 1988, ainda é tênue, parcial e tem sido administrada por uma expressão política maiormente clientelista e utilitária. Assim, temos hoje um Brasil sem reforma política, em caos político, com instituições de estado frágeis e marcado por uma grave crise econômica. Um momento difícil a carecer de lideranças sólidas, compromissos claros e no qual, acima de tudo, as nossas instituições precisam funcionar para todos e ter as suas decisões respeitadas. A Constituição de 1988 trouxe uma segurança e uma estabilidade que precisa ser respeitada neste Brasil da crise e no Brasil pós-crise. Nós afirmamos a democracia, os Poderes e as suas respectivas áreas, bem como a construção de uma sociedade que afirme uma cultura de integração, paz e proteção dos pequenos e mais vulneráveis.

Neste tempo pascoal, nós afirmamos que a esperança é filha da ressurreição. É verdade que vivemos dias conturbados, mas também é verdade que estes não têm a última palavra. A última palavra é pronunciada por Deus e Ele nos anuncia que tem caminhos novos para todos que vivemos neste nosso tempo e neste nosso lugar. E o melhor que Ele tem para nós passa pela justiça, verdade, cuidado mútuo e vivência de comunidade. Por estes valores nos pautamos nestes dias e pela realização dos mesmos oramos, assim como a igreja tem orado no decorrer da história: PAI NOSSO, SEJA FEITA A TUA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU.

http://www.aliancaevangelica.org.br/news/0022-2016/

terça-feira, 22 de março de 2016

A guerra contra o mal


Efésios 6.10-12

10 O que mais eu posso dizer? Apenas isso: estejam fortes no Senhor e na força do seu poder. 11 Coloquem a completa armadura de Deus. Então, vocês poderão permanecer firmes contra as armadilhas do diabo. 12 A guerra que nós estamos travando não é contra carne ou sangue. É contra os líderes, contra as autoridades, contra os poderes que governam o mundo nesse tempo de escuridão, contra os elementos espirituais da maldade nos lugares celestiais. (Tradução de N.T. Wright)

O mal é maior que a soma das maldades do mundo.

Essa realidade é vista em nosso dia a dia. Buscamos a justiça, a bondade e a honestidade onde vivemos. Mas, parece, elas escapam de nossas mãos.

A razão disso acontecer é a existência de forças controladoras ao nosso redor.

Elas adquirem sinergia. 2 + 2 tornam-se 5. Ou mais.

Acontece que Deus concedeu um privilégio para o ser humano, o qual também seria sua responsabilidade: administrar o mundo do jeito de Deus, a partir de uma vida de intimidade com Ele.

Essa situação configura a criação à imagem de Deus.

Mas o ser humano abriu mão da responsabilidade. Entregou-a para elementos da própria criação, transformando-os em falsos deuses.

Hoje, essas forças (falsos deuses) tem nome: dinheiro, prazer, poder, entre outros.

Antigamente, tinham outros nomes: Mamon, Afrodite, César.

Então, quando você vive preocupado com dinheiro e entende que o teu valor está em ser alguém próspero, você serve a Mamon e não a Deus.

Quando você troca de amor como quem troca de roupa e entende o teu valor a partir da necessidade de ser aceito por outros, você serve a Afrodite e não a Deus.

Quando o grande objetivo de tua vida é conquistar uma posição de destaque na sociedade e entende o teu valor no prestígio que você possui, você serve a César e não a Deus.

Você percebe quem comanda esse mundo?

Por isso, Paulo diz que nossa guerra não é contra carne ou sangue, mas "contra os poderes que governam o mundo nesse tempo de escuridão" (v.12).

No mundo de Paulo, essas expressões não significavam necessariamente “hostes demoníacas”, mas forças criadas para estar em harmonia com o propósito do criador, transformadas em falsos deuses, as quais recebia nomes como Mamon, Afrodite e César.

Colossenses 1.16 deixa isso bem claro: “Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele.”

O diabo existe (v.11). É um ser semi-pessoal que promove o mal porque o ser humano entregou esse poder a ele. Mas essa é outra história que merece ser contada em outro espaço.

Aqui, ele representa o acusador, o tentador, o sedutor. Ele cria armadilhas para nos afastar dos propósitos do criador. Ele põe lenha na fogueira.

Mas, perceba, nossa luta não é diretamente contra o diabo. É contra as forças controladoras que agem no mundo.

Elas se tornaram "forças" porque a humanidade não agiu como imagem de Deus. Abriu mão de sua responsabilidade e foi dominada pelo mal.

Aquilo que era para contribuir com o projeto de Deus, acabou por escravizar toda a criação, inclusive o ser humano.

É como se vivêssemos no exílio, como o povo hebreu vivia no tempo do Egito. A guerra continua. Necessitamos de libertação. Alguém que nos conduza para fora do exílio e da escravidão.

A boa notícia é que o libertador já veio.

No Messias (Cristo) Jesus, todas as coisas são devolvidas ao seu propósito original. Deus reconciliou Nele todas as coisas (Colossenses 1.20).

Na cruz o mal foi vencido. Na ressurreição, a nova criação foi inaugurada.

Mas ainda estamos em guerra?

Sim. Porém, nosso estado de guerra é temporário. A vitória já foi decretada. O reino já foi iniciado. 

Só que o mundo ainda não se deu conta disso. Vive a partir do reino antigo.

E a maneira de Deus agir não é a coerção. Sua conquista não é pela força, mas pelo amor subversivo.

Por isso, o chamado do povo de Deus é para implementar a vitória de Jesus no mundo, através de atos, palavras e orações, a fim de que o mundo creia nessa nova realidade e, também, viva a partir dela.

Com essa tarefa no coração, portanto, aguardamos a manifestação do Rei Jesus na terra, quando a Nova Criação será consumada e tudo será colocado em ordem novamente.

Muitos, ainda, não perceberam a alvorada do reino de Deus. A luz do sol está presente, mas vivem como cegos, em pleno escuro.

Nessa perspectiva é que lutamos contra as forças que governam o mundo nesse tempo de escuridão.

E agora, como fazemos isso?

Vestindo a armadura de Deus?

Sim e não.

Mas isso será assunto para outra postagem, ok?


terça-feira, 15 de março de 2016

Subversão




Marcos 10.35-45 
O pedido de Tiago e João







35 Nisso Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: “Mestre, queremos que nos faças o que vamos te pedir”. 36 “O que vocês querem que eu lhes faça?”, perguntou ele. 37 Eles responderam: “Permite que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda”. 38 Disse-lhes Jesus: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu estou bebendo ou ser batizados com o batismo com que estou sendo batizado?” 39 “Podemos”, responderam eles. Jesus lhes disse: “Vocês beberão o cálice que estou bebendo e serão batizados com o batismo com que estou sendo batizado; 40 mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados.

Em nosso país temos o costume de desvalorizar a nós mesmos. Diante dos casos de corrupção amplamente expostos na mídia, normalmente dizemos: “só pode ser no Brasil”.

A história de Tiago e João mostra que a corrupção está em todo o lugar. Inclusive no coração dos discípulos de Jesus.

Quando eles pedem a Jesus cadeiras especiais no reino, eles estão imaginando Jesus assinando seu primeiro decreto como rei: matem os romanos!

Imaginam um reino de poder e glória... humana.

Sendo assim, um queria ser Ministro da Fazenda e, outro, Ministro da Justiça. Eles queriam antecipar a vaga; passar na frente dos concorrentes.

Mas o reino de Deus é diferente (essa sempre foi a mensagem de Jesus). O caminho para ele ser estabelecido não é coercitivo. Portanto, não adianta negociar os cargos para tirar vantagens.

Como o reino será estabelecido, então?

Talvez a melhor resposta para essa pergunta seja: PELA SUBVERSÃO.

A subversão acontece de dentro para fora. É água mole em pedra dura que tanto bate até que fura.

Foi o caminho de Jesus.

Perceba a resposta de Jesus a Tiago e João: “Vocês não sabem o que estão pedindo. [...] Esses lugares já estão reservados para outros.”.

Quem são esses outros?

A narrativa de Marcos nos deixa em suspense por um tempo. Depois nos revela, logo adiante, no cenário da crucificação.

Os que ficarão à direita e à esquerda serão dois ladrões (15.27).

Como assim?

A glória de Deus, sua grande vitória, será na cruz. Ali todo mal é derrotado. A fraqueza se transformou em força. O sofrimento em superação. É pura subversão.

Tiago e João não sabiam o que estavam pedindo. Eles não conseguiam imaginar um reino conquistado pela paixão, morte e ressurreição do Messias. 

Entendiam as palavras de Jesus sobre “beber a taça” e “receber o batismo” como uma alerta sobre as dificuldades e lutas para o estabelecimento do reino. Algo como: “será duro, mas venceremos!”.

Mas a cruz mostra que para estabelecer o reino de Deus não basta apenas passar por um caminho difícil. É uma jornada a ser trilhada. Uma jornada de subversão.

O caminho subversivo, portanto, é exemplificado pelo sofrimento de Jesus, o qual leva sobre seus ombros toda a maldade do mundo por amor. A fidelidade a Deus e ao seu projeto é sua grande motivação. E seu projeto é a nova criação.

Por isso, somos convidados para sermos seus discípulos. Devemos aprender o caminho da subversão e implementar a sua vitória no mundo.

Jesus nos chama à subversão porque esse é o melhor caminho para a transformação. É a forma de plantar a semente da nova criação.

Quando você é subversivo, o teu valor não está na admiração das pessoas. O teu sucesso não é marcado pela produtividade. A tua estabilidade não é determinada pelo dinheiro que você tem no banco.

O subversivo age com intencionalidade, semeando o reino, mas crendo que quem dá o crescimento é Deus.

O subversivo é humilde. Busca servir ao invés de ser servido. Seu coração não está nas conquistas pessoais.

O subversivo é manso. Já foi um cavalo xucro; agora está domado. Suas ações são marcadas pela sobriedade. Busca agir com sabedoria diante da tensão.

O subversivo é persistente. Não desiste nunca. É movido pela esperança. Acredita na vitória de Jesus na cruz e no estabelecimento da nova criação no futuro.

O subversivo é criativo. Está sempre buscando alternativas para lidar com o mal, a fim de transformá-lo em bem.

O subversivo ama. Ama porque sabe que é amado. Sua força vem dessa certeza. Entrega sua vida na fidelidade ao amado.

A cruz, portanto, não é apenas um meio de vitória, mas um modelo.

A cruz nos indica que existe um caminho diferente a tomar. Um caminho de amor e paz. Um caminho de transformação real, de dentro para fora. Um caminho subversivo.

O que te impede de tomar tua cruz e seguir a Jesus pelo caminho da subversão em direção ao reino de Deus?


sábado, 12 de março de 2016

Oremos por justiça e serenidade


A 24a fase da operação Lava Jato, denominada Aletheia ("verdade", no grego), tornou-se notícia no mundo inteiro, pois as investigações envolvem personalidades políticas.

Depois de dois anos e tantas fases, a Operação Lava Jato é hoje conhecida mundialmente por investigar um dos maiores escândalos de corrupção da história. Algo surpreendente no Brasil, o país da impunidade, como o seu próprio povo o denomina. Políticos, empresários, banqueiros, funcionários públicos e lobistas têm sido denunciados e acusados, sendo que alguns já foram condenados e apenados. Essa é a triste realidade. Mas o que nos consola é que estamos vendo a justiça fluir.

As Escrituras atestam que desde os tempos antigos “o ímpio aceita às escondidas o suborno para desviar o curso da justiça” (Provérbios 17.23). Contudo, não podemos nos conformar com essa realidade, pois a Bíblia também diz: “Odeiem o mal, amem o bem; estabeleçam a justiça nos tribunais” (Amós 5.15). O Senhor nos faz conhecer o caminho melhor: “Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus” (Miqueias 6.8).

Embora,  publicamente todos aprovem as medidas de  combate à corrupção, o aprofundamento das investigações, os inquéritos policiais e os processos judiciais abalam  a credibilidade de instituições e partidos políticos, além de macular as biografias das pessoas envolvidas. As paixões partidárias e a troca de acusações têm elevado a temperatura das discussões, chegando, em alguns casos, a provocar lamentáveis agressões físicas.

A Aliança Cristã Evangélica Brasileira, preocupada com esse acirramento dos ânimos, dirige-se às igrejas e pessoas filiadas, e ao povo evangélico em geral, chamando-os à serenidade, à oração e à paz.

Com esse propósito, somos encorajados a:

- Orar pelas autoridades: "Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões... por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (I Timóteo 2.1, 2).

- Orar pelo bom funcionamento de nossas instituições democráticas, sobretudo na instância dos poderes constituídos: Legislativo, Executivo e Judiciário.

- Orar para que a crise econômica e política seja resolvida, dentro dos limites estabelecidos pelo Estado de direito e da  democracia brasileira.

- Orar para que a justiça e a paz caminhem juntas em nosso País e que todos estejam sujeitos às mesmas leis, sem privilégios. Que venham à tona todos os casos de corrupção, tanto em nível federal, como estadual e municipal.

- Orar para que o Brasil encontre em Jesus Cristo a referência de que tanto precisa para se tornar uma nação pautada pelo bem-estar que procede da justiça.

Brasil, 9 de março de 2016
Aliança Cristã Evangélica Brasileira


sábado, 5 de março de 2016

É melhor evitar o fermento



Mc 8.13-17: o fermento dos fariseus e de Herodes

13 [Jesus] voltou para o barco e foi para o outro lado. 14 Os discípulos haviam se esquecido de levar pão, a não ser um pão que tinham consigo no barco. 15 Advertiu-os Jesus: “Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”. 16 E eles discutiam entre si, dizendo: “É porque não temos pão”. 17 Percebendo a discussão, Jesus lhes perguntou: Por que vocês estão discutindo sobre não terem pão? Ainda não compreendem nem percebem? O coração de vocês está endurecido?

Você já reparou como funciona um fermento. Age lentamente na massa, até que a modifica.

O fermento, na época de Jesus, era proibido no tempo da Páscoa. O pão sem fermento lembrava os antigos hebreus. Eles saíram com tanta pressa e avidez da escravidão no Egito que não tiveram tempo de esperar pela ação do fermento no pão.

Portanto, quando Jesus alertou os discípulos sobre o perigo do fermento dos fariseus e de Herodes, essa figura estava bem viva em suas mentes e corações.

Tanto que eles pensavam que o problema era não terem trazido o pão certo.

Mas, Jesus insiste, mesmo que indiretamente: a questão não é o pão, mas o fermento.

Usar fermento significava ficar indiferente à história de libertação de Deus.

Usar o fermento dos fariseus e de Herodes significava não perceber que uma nova história de salvação estava acontecendo em Jesus.

Os fariseus ensinavam que o reino de Deus viria se as pessoas fossem muito religiosas. Herodes inspirava a luta pelo poder no reino.

Cuidado! Disse Jesus. Religião e poder político não são as bases do reino de Deus.

Mas, como fermento, são capazes de se infiltrar e transformar vocês.

O reino de Deus é diferente.

Ele vem, primeiramente, pelo sofrimento em direção a uma cruz. Ele apenas pode ser estabelecido pelo amor e pelo serviço humilde. Ninguém pode fazer parte dele através de exigências religiosas (o único caminho é a fé no Messias Jesus). Sua vitória é garantida pela ressurreição.

Então, evitem o fermento.

Aceitem o caminho do pão ázimo (sem fermento).

Deus sabe que você está acostumado a usar fermento. Você fez isso a vida toda. Você viveu a vida de religiosidade que te ensinaram para alcançar as graças de Deus. A sociedade, ainda, te pressiona a lutar pelo poder como único caminho do sucesso.

Mude seus hábitos. Arrependa-se (literalmente, siga outro caminho), o reino de Deus chegou em Jesus.

Aceite ser seu discípulo e trilhe a jornada rumo ao seu reino.

Jesus é um mestre paciente e amoroso.

Mas ele é firme e determinado. 

Seguidamente, vai te confrontar para fazer você se dar conta da importância de seguir o reino do único e verdadeiro Deus, pois sabe que a vida em outro reino traz consequências desastrosas.

Acredite, é muito melhor evitar o fermento.