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quarta-feira, 25 de março de 2015

OREMOS PELO NOSSO BRASIL

Para muitos brasileiros, há uma certa apreensão no Brasil, considerando as notícias veiculadas pela grande mídia nas últimas semanas. O quadro político e econômico aponta para dificuldades nos próximos meses. As denúncias de corrupção também contribuem para o sentimento de frustração em relação ao futuro melhor que todos queremos para o País, para nós e para as futuras gerações. Percebem-se sentimentos que vão desde a indignação ao cinismo, da reivindicação por justiça ao descrédito de que a justiça e o bem se estabelecerão.
Não concordamos com atitude escapista de alguns cristãos que se abstraem de nossa realidade, através de uma vida religiosa sem nexo ou consequência em relação ao contexto. Lidamos inquietos com a questão e, por isso, como cristãos perguntamos: o que podemos fazer?
O convite que a Aliança Cristã Evangélica Brasileira faz à Igreja evangélica neste momento é para a oração, não como uma forma de escapismo e nem que nela se esgote a sua atuação ante à realidade. Mas, tão somente, comecemos pela oração a nossa ação como povo de Deus!
Orar, neste momento, é uma manifestação de obediência a Deus, pois a Bíblia exorta a Igreja de Cristo a orar em favor das autoridades:
“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade”. (I Tm 2.1-4).
É nesse contexto que desenvolvemos, portanto, o serviço a Deus, ao próximo e à nação brasileira. Devemos orar pelas autoridades e pelo povo brasileiro, colocando nossas dificuldades como sociedade diante de Deus, conectando o nosso coração a Deus e o nosso interesse com as necessidades da nação.
Além disso, diante de Deus busquemos sabedoria e discernimento para uma ação transformadora como seguidores de Jesus. E, como cidadãos e cidadãs brasileiros, reafirmemos as instituições políticas, as liberdades democráticas e o estado de direito, a fim de exercermos a nossa cidadania com espírito crítico e consciência cristã. Levando em conta as orientações apostólicas, adotemos uma postura respeitosa, cordial e profética.
Oremos pelo nosso Brasil, pelo nosso povo e pelos nossos governantes. Oremos também pela Igreja, para que ela seja um exemplo de integridade sem corrupção, a começar por seus líderes. Clamemos por justiça e arrependimento, para que a Igreja seja verdadeiramente sal da terra e luz do mundo. Oremos para que as pessoas busquem ao Senhor nosso Deus e que Ele nos livre da injustiça, do ódio e da violência.
À luz desses motivos de oração, convidamos as Igrejas Evangélicas a que, nas próximas semanas, programem tempos específicos de intercessões e incentivem ao jejum e à oração cada participante de nossas Igrejas.
Aliança Cristã Evangélica Brasileira
Brasil, 15 de março de 2015

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A dor não tem a palavra final


Parece contrassenso unir as palavras “dor” e “gloriosa”. Mas para os cristãos, elas podem caminhar juntas. Assim ensinou Jesus tantas vezes. Isso não significa sacralizar o sofrimento ou conformar-se com a injustiça. Mas, sim, significa dizer que a dor não tem a palavra final. Ela pode ser a trilha para algo maior, mais glorioso.

(Revista Ultimato, Fev. 2015)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Insatisfação interior?

Um peregrino é um andarilho com um objetivo.”

Há manhãs em que acordamos com a visão ainda embaçada, ao som do alarme do relógio, e nos esforçamos para encontrar alguma motivação para enfrentar o dia que começa. Afastamos as cortinas para nos depararmos com a mesma cena cotidiana e ansiamos pelo dia em que poderemos sair pela porta e encontrar algo diferente. Nossas vidas diárias podem perecer previsíveis e insatisfatórias e, então, algo dentro de nós nos instiga a ir rumo a novos horizontes, na direção daquela curva, no caminho que os levará a montanhas desconhecidas.
Essa inquietação e esse descontentamento podem significar o início de algo notável. Ao invés de simplesmente desconsiderar esse sentimento, dando de ombros com desdém, poderíamos dar ouvidos ao que o nosso espírito está dizendo. Podemos estar ansiando por um tipo de vida diferente e não apenas por uma simples mudança. Podemos estar famintos de significado, de compreensão, de esperança e também de aventura.
Nosso espírito pode estar ansiando por peregrinação ̶ uma jornada rumo ao desconhecido  ̶  mas, ainda assim, uma jornada com um destino.
Nossa vida pode ser uma peregrinação, uma jornada de descoberta espiritual. Mas também há ocasiões em que precisamos viajar com nossos próprios pés, andar pelo mundo deliberadamente, com a intenção de nos permitirmos estar abertos, animados pela esperança, guiados pelo amor.


Andrea Skevington (adaptado)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Transforme-se...


"QUANDO A SITUAÇÃO FOR BOA, 
DESFRUTE-A. 
QUANDO A SITUAÇÃO FOR RUIM, TRANSFORME-A.

 QUANDO A SITUAÇÃO NÃO PUDER SER TRANSFORMADA, 

                         TRANSFORME-SE."
                                                          Viktor Frankl

quarta-feira, 5 de março de 2014

O CONVITE DA QUARESMA

Tibouchina granulosa - Quaresmeira

A Quaresma surgiu nas comunidades cristãs primitivas devido ao costume de observar o período de preparação para a Páscoa. É tempo dedicado ao auto-exame, arrependimento, jejum e oração. É, também, um momento muito especial para relembrar o grande amor de Deus, bem como sua obra em e através de Jesus Cristo.

Nesse período de 40 dias ou "Quaresma”, somos convidados a observar o exemplo de Jesus, o qual passou 40 dias no deserto em luta espiritual (Mateus 4.1-11), em preparação para o seu ministério.

Na Quaresma, portanto, é como se Cristo nos convidasse a mudar de vida; a parar e refletir sobre nosso comportamento para com Deus, conosco mesmo, para com o próximo e com a criação. Somos convidados a viver a Quaresma como um desafio para ficarmos mais próximos de Deus. Nosso comportamento deve buscar a leitura regular da Palavra de Deus, orar com mais vigor, jejuar com atenção e praticar as boas obras que a Bíblia nos orienta.

Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação. É na Quaresma que aprendemos a conhecer e apreciar a cruz de Jesus. Com isto, aprendemos também a tomar a nossa cruz com alegria, assumindo nosso papel de discípulos do Senhor Jesus.

Somos convidados, então, a vivermos a Quaresma não somente como uma data do calendário religioso, mas como uma atitude de vida onde incorporamos o “mistério Pascal” de Cristo, o qual revela a história da salvação realizada por Deus em favor da humanidade.

Fonte: Manual do Culto Cristão – IPIB e http://ipmissional.blogspot.com.br/

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Homothumadon

"Assim que eles ouviram isso, adoraram todos juntos [homothumadon] a Deus, dizendo: ..." (At 4.24)

Homothumadon é uma daquelas palavras que não se encontra uma tradução adequada na nossa língua. Na passagem acima, bem como em outras onde essa palavra é usada (10 vezes em Atos e 1 vez em Romanos), seu sentido fica enfraquecido. Morfologicamente, homothumadon é composto por homo ("junto", "mesmo") e thymos ("enfurecer-se", "ferver"). Entender, então, essa palavra apenas no sentido de "unanimidade" pode nos fazer perder toda sua amplitude e aplicação na nossa vida como cristão.

Segundo o Pr. Eugene Peterson, homothumadon tem uma força particular: ela provoca o leitor-ouvinte a uma relação intensa e amorosa com as pessoas e destaca o sentimento de fúria ou de intrepidez ligados à vida de paz e humildade. Pode-se dizer, assim, que essa palavra contém a energia da raiva, sem o sentimento de raiva; possui a emoção forte de um ataque a alguém, sem, contudo, expressar maldade ou dolo. E, ainda, se for aplicada num contexto comunitário de igreja, fornece a base das relações interpessoais, isto é, humildade na postura diante do outro e paixão em promover o reinar de Deus na comunidade.

Sem dúvida, pelo exposto, pode-se perceber que homothumadon é um desafio para todos os discípulos de Cristo. Principalmente, porque viver, ao mesmo tempo, a ambigüidade da intrepidez e da humildade não é comum no nosso tempo. Na verdade, tendemos aos extremos: somos dominadores ou passivos; somos invasivos ou tímidos; gritamos ou nos calamos. Talvez essa polarização nos comportamentos seja fruto de um estilo cartesiano e maniqueísta da sociedade ocidental. Há muita dificuldade, então, em se pensar (e viver!) baseado em um sistema complexo ou múltiplo; o paradoxo da vida não faz parte do nosso dia a dia.

Jesus, por outro lado, mostra com sua vida que viver o homothumadon na igreja e no mundo é possível. Com seu agir amoroso ele promoveu uma revolução radical na sociedade onde viveu e que tem impacto até os nossos dias. Ele amou a todas as pessoas incondicionalmente, mas não deixou de expulsar do templo os mercadores que exploravam os pobres; tratou com dignidade mulheres, crianças, leprosos e prostitutas, mas não deixou de exigir que todos carregassem a sua respectiva cruz; andou com publicamos, religiosos e pessoas de alta classe, mas nunca deixou de manifestar-se contra a religiosidade, a ganância e a vida sem generosidade. Sim, é possível experimentar o homothumadon. Pois, se o grande objetivo de nossa vida é ser semelhante a Cristo, não podemos estabelecer metas menores do que ser como Jesus foi. É compromisso de todo discípulo-seguidor, portanto, estabelecer um esforço contracultural, além, é claro, de uma vida dedicada à oração e à piedade, para levar isso a bom termo.

Cabe destacar, finalmente, que houve pessoas que experimentaram esse sentimento-ação chamado homothumadon. Uma delas chama-se Mohandas K. Gandhi. Apesar de não ter se tornado cristão, ele viveu o Sermão da Montanha de Jesus até as últimas consequências e proporcionou a libertação da Índia do jugo inglês através da paz, da vida simples, do amor incondicional e da desobediência civil. Outra pessoa digna de ser lembrada é o indiano da seita sik Sadhu Sundar Singh. Mesmo diante de perseguições, prisões e privações ele foi um destemido arauto do evangelho na Índia e no Tibete, munido apenas de um Novo Testamento.  Pregou, ainda, nos EUA e em diversos países da Europa, mas nunca deixou seu estilo de vida simples e seu propósito de anunciar o evangelho nos arredores do Himalaia.

Da mesma forma que Gandhi e Sadhu Sundar Singh, com certeza, existem muitos anônimos que viveram (e vivem!) aquilo que foi proposto por Jesus. Eles não são, por isso, heróis, mas apenas aqueles que fazem o que devem fazer (como “servos inúteis” – Lc 17.10); são, porém, discípulos fiéis que experimentam e desfrutam o reino de Deus antecipadamente.

Rev. Vinicius.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Oração comunitária


A oração modelo de Jesus Cristo, expresso no título “Pai-Nosso”, não é uma oração solitária, mas feita em comunidade. O contexto bíblico fundamental é a adoração. É por isso que o culto público parece ser o único contexto no qual podemos recuperar a profundidade do Evangelho. Isso significa que aprendemos a orar na comunidade, que aquilo que fazemos a sós é algo que extraímos da adoração da comunidade. Assim, a oração não cessa e tem formas alternativas quando você está sozinho, mas a perspectiva da coletividade vem primeiro. Infelizmente, a experiência dos cristãos inverteu a ordem. Na longa história da espiritualidade cristã, entretanto, a oração comunitária é mais importante e depois a individual.


Baseado em E. Peterson – O Pastor Contemplativo, pg. 17