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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Oração comunitária


A oração modelo de Jesus Cristo, expresso no título “Pai-Nosso”, não é uma oração solitária, mas feita em comunidade. O contexto bíblico fundamental é a adoração. É por isso que o culto público parece ser o único contexto no qual podemos recuperar a profundidade do Evangelho. Isso significa que aprendemos a orar na comunidade, que aquilo que fazemos a sós é algo que extraímos da adoração da comunidade. Assim, a oração não cessa e tem formas alternativas quando você está sozinho, mas a perspectiva da coletividade vem primeiro. Infelizmente, a experiência dos cristãos inverteu a ordem. Na longa história da espiritualidade cristã, entretanto, a oração comunitária é mais importante e depois a individual.


Baseado em E. Peterson – O Pastor Contemplativo, pg. 17

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

20 de Setembro


A cultura gaúcha, presente particularmente no Rio Grande do Sul, é caracterizada pela aproximação com o gaúcho, um campesino apegado à lida do gado que possui uma expressão cultural própria, tanto na linguagem, na vestimenta e no lazer como na ética, na religiosidade e na relação com a família e sociedade. E mesmo aqueles que não têm contato direto com o campo, vivenciam essa cultura através do chimarrão, da música, do artesanato, dos símbolos gaúchos e dos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs), além de muitos comportamentos característicos.

Sendo assim, vamos aproveitar a Semana Farroupilha, a qual se encerra no dia 20 de setembro, para lermos a identidade cultural do gaúcho à luz do Evangelho. É necessário, para isso, estarmos dispostos a dialogar com ela, percebendo que há muitos valores cristãos que estão em harmonia com os valores gaúchos, embora alguns nem tanto... 

Que os seguidores do caminho de Jesus se unam ao brado riograndense (mostremos valor constância, nessa ímpia e injusta guerra; sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra), a fim de promover o reinar de Deus em todas as querências do mundo.


Com diz Teixeirinha: “... Deus é gaúcho, de espora e mango; foi maragato ou foi chimango...”

sábado, 7 de setembro de 2013

Sobre AMAR

Numa entrevista, o neurobiólogo chileno de 84 anos, Humberto Maturana, fala sobre a necessidade de vivermos a partir do amor.

"O ser humano não vive só. A história da humanidade mostra que o amor está sempre associado à sobrevivência. Sobrevive na cooperação. Se a mãe não acolhe o bebê, ele perece. É o acolhimento que permite a existência. Numa de suas parábolas, Jesus fala do camponês lançando sementes ao solo. Algumas caem nas pedras e são comidas pelas aves, outras caem num solo árido e resistem por pouco tempo. Mas há aquelas que encontram boa terra e crescem vigorosas. Assim também nós precisamos de um solo acolhedor para nos desenvolver. Nosso solo acolhedor é o amor."

Nessa perspectiva, o desafio cristão é compreender e viver o amor revelado em Jesus, o qual busca o bem do outro e não a satisfação da necessidade de ser amado. Deus nos convida a fazer o que Ele fez: morrer para salvar quem não merece:

"Pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." (Rm 5.7-8).

O caminho do amor, portanto, é o serviço compassivo e humilde, onde é melhor dar do que receber (At 20.35); onda a motivação não está na retribuição, nem mesmo do amor. É como Paulo descreve em 1Co 13.4-7:

“O amor é paciente e é bondoso. Não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Não é grosseiro, nem egoísta; não se ira facilmente, não guarda mágoas. O amor não se alegra quando alguém faz algo de errado, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...”

Por outro lado, amar de maneira INCONDICIONAL só é possível porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4.19). A palavra ouvida pelo Filho de Deus no seu batismo ecoa até nós: "Esse é meu filho amado, que me dá muita alegria!" (Mt 3.17). Jesus, portanto, cumpriu seu propósito sustentado pelo amor do Pai. E, a partir da mesma base, devemos cumprir o nosso.

Que Deus nos dê a coragem para entrar nessa jornada de amor, conscientes de que vale a pena, pois foi planejada carinhosamente por quem criou todas as coisas. Soli Deo Gloria.

Vinicius.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

LUZES DA LUZ

Mt 5.14-16

"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus."

Deus chama um povo para ser luz para as nações desde o Antigo Testamento (Gn 12.1-3). Mas essa luz não é uma fonte autônoma; ela aponta, sinaliza para algo maior: a verdadeira Luz. É como o sol: não podemos olhar fixamente para ele, mas ao observar seus reflexos, percebemos sua existência e sua ação.

Somos chamados para ser luzes da Luz, através de atos e palavras. Glórias da Glória, a fim de revelar o Pai. Ansiamos, portanto, que Deus revelado em Jesus seja discernido em meio a tantos brilhos espalhados pelo mundo (Jo 1.18), pois temos crido e reconhecido Ele como o único doador da vida plena (Jo 6.68), o qual nos ilumina para experimentar e anunciar o governo de Deus entre todas as nações.

A Deus seja dado todo o louvor!

Vinicius.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Como você gostaria de ser lembrado?

Há dois anos, dia 27 de julho de 2011, morria em Londres aos 90 anos John Stott. Veja como ele gostaria de ser lembrado...

“Como um cristão medíocre que foi resgatado e teve o desejo de entender, expandir, relatar e viver a Palavra de Deus”


Ver em Ultimato

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Henri Nowen: exemplo e admiração

A vida de Henri Nowen é digna de admiração. Além de suas muitas sábias orientações e discernimentos espirituais, merece destaque a sua abnegação. Quando ele foi lecionar em Harvard, a fama e prestígio de Nowen como professor, escritor e conferencista já percorriam o mundo, e em todo lugar por onde passava ele era bastante respeitado. Todavia, tudo isto não bastava para amenizar o profundo vazio espiritual e as feridas pessoais que ele sentia aumentar com o tempo. Tudo isso, combinado com uma vida de fama e agenda lotada de compromissos, levaram Nouwen a um ponto de colapso total num espaço de três anos. Até que ele teve a compreensão, à luz da experiência de Jesus, de que o caminho para subir é descer. Assim, ele abandonou sua brilhante carreira nas melhores universidades dos EUA para compartilhar sua vida com os necessitados, servindo em uma comunidade para deficientes mentais, a Arca - O Amanhecer, em Toronto no Canadá. Conforme o próprio Nouwen disse em seus escritos, “ali ele não foi para dar, mas para receber; não por causa de excesso, mas por falta. Foi para conseguir sobreviver” (YANCEY, P. Alma Sobrevivente, 2004, p. 306).

Sinto algo semelhante quando presto auxílio a grupos de apoio para dependentes químicos. Não é egoísmo, mas convicção de limites e da necessidade de outros para seguir na jornada da vida. Na verdade, nesse momento percebo o quanto sou dependentes da graça de Deus e experimento a verdadeira força que vem da fraqueza.
Vinicius
(Ver em FTL)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

IBGE e a religiosidade no RS

Dados do IBGE colocam municípios do Estado como campeões em credos
Itamar Melo
Os dados sobre religião do Censo 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), consagram o Rio Grande do Sul como o Estado dos extremos religiosos. Estão em território gaúcho o município mais católico, o mais evangélico, o mais umbandista, o mais islâmico e o mais mórmon do país. O Estado tem a Capital mais judaica. Até entre os sem fé os gaúchos se destacam: a única das 5.564 cidades brasileiras onde quem não tem religião é maioria fica aqui: Chuí.
A principal explicação para a diversidade está na formação histórica do Estado. Imigrantes europeus de forte religiosidade, especialmente italianos, fundaram pelo Interior comunidades que hoje são os municípios brasileiros com maior proporção de católicos. A imigração europeia também explica a liderança gaúcha no ranking dos municípios mais evangélicos. São cidades fundadas por luteranos vindos da Alemanha, que mantêm a tradição do credo de seus ancestrais.

Mas surpreendente é a força das religiões afro-brasileiras. Apesar de ser o segundo Estado mais branco do país, o Rio Grande do Sul tem a maior proporção nacional de adeptos da umbanda e do candomblé — 1,47%, quase cinco vezes o percentual da Bahia. Estão em terra gaúcha as 14 cidades com mais seguidores dessas religiões, a começar por Cidreira. No Estado, 58% dos fiéis afros são brancos. Para o sociólogo da religião Ricardo Mariano, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), a explicação pode estar no sincretismo vivenciado na Bahia, no Rio e em São Paulo:
— Na Bahia, existe um grande sincretismo afro-católico. Lá, a Igreja tem pleno domínio dessa situação. Por isso, parte das pessoas dos cultos afros se identifica como católica. 
O Estado tem três municípios entre os cinco mais islâmicos, liderados por Chuí. A presença de imigrantes do mundo árabe explica esse quadro. Essa imigração também pode dar uma pista do motivo para Chuí ser a cidade onde mais gente se declara sem religião (54,24%). Mariano tem suspeitas para explicar o fenômeno:
— Anos atrás, foram feitas acusações de que haveria terroristas islâmicos na região, o que pode ter deixado as pessoas desconfortáveis. Outra possibilidade é uma influência do Uruguai, um dos países mais leigos do mundo.

No caso dos mórmons, que registram alguns de seus melhores percentuais em cidades gaúchas (chegando a 3,52% em Quaraí), Mariano observa que é preciso investigar para saber a causa do fenômeno, mas acredita que ele possa estar relacionado a algum trabalho missionário específico.

[Menos católicos, mais evangélicos e espíritas]
A Igreja Católica está perdendo espaço de forma acelerada no mercado da fé brasileiro. Conforme o Censo 2010, a proporção de católicos no país caiu para 64,6%, contra os 73,6% de 10 anos antes. Em 1980, os católicos eram 89,2% da população. Já há três Estados onde os seguidores do Vaticano não são maioria: Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima.

No Estado, a sangria de fiéis da Igreja acentuou-se em relação à década anterior. Depois de cair de 81,3% para 76,4% entre 1991 e 2000, a proporção despencou para 68,8% em 2010. Em termos absolutos, há menos católicos do que no passado, no Estado e no país, apesar do crescimento populacional.

As ovelhas desgarradas desse rebanho estão alimentando as hostes de outros credos e também o time dos sem fé. Já se declaram sem religião 8% dos brasileiros e 5,9% dos gaúchos. Mas isso não significa avanço do ateísmo. O IBGE descobriu que eles são muito poucos: 0,32% no Brasil, 0,47% no Estado. Uma religião que teve avanço significativo, em termos percentuais, foi o espiritismo. No Estado, passaram de 1,8% para 3,2% da população. O recuo dos católicos, no entanto, está diretamente ligado ao aumento de 44% na proporção de evangélicos, que passou de 15,4% para 22,2% da população do país em uma década.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/06/dados-do-ibge-colocam-municipios-do-estado-como-campeoes-em-credos-3806966.html